Mensagem de Natal
Deus abreviou sua Palavra
«Deus tornou breve a sua Palavra, Ele abreviou-a» (Is 10,23; Rom 9,28). Essas palavras da Sagrada Escritura, prezados irmãos e irmãs, indicam-nos o verdadeiro sentido do Natal.
Com efeito, Deus abreviou sua Palavra. É exatamente isso que vemos no mistério do Natal do Senhor. A Palavra de Deus é eterna, infinita como Deus; em suma, a Palavra é Deus (cf. Jo 1,1). Não obstante, esta mesma Palavra divina apareceu entre nós sob a forma humana: “A Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). A Palavra se fez menino, e é esse mistério que contemplamos na manjedoura. Sendo eterna, fez-se temporal; sendo infinita, apareceu limitada. Para alcançar-nos em nossa fragilidade, a Palavra onipotente, pela qual tudo foi criado (cf. Jo 1,3), fez-se frágil. Deus, assim, abreviou sua Palavra. Lição: Deus mostra o seu poder na humildade e na pequenez, e nos ensina a ser humildes e a amar os pequenos para sermos grandes.
Podemos dizer ainda que Deus tornou breve a sua Palavra porque resumiu toda a Sagrada Escritura no seguinte mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. A Sagrada Escritura, ao longo dos séculos, tornou-se extensa e, com isso, complicada, não só aos rudes, mas até mesmo aos sábios, que já não conseguiam facilmente uma visão de conjunto dos textos escriturísticos. Mas, a Palavra, que nasceu para nós em Belém, simplificou as coisas, e, na abreviação, deu-nos uma perfeita visão do essencial.
Por fim, Deus abreviou sua Palavra porque a revestiu de simplicidade para nos alimentar. “O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Dt 8,3; Mt 4,4). O menino Jesus, ao apresentar-se na manjedoura, apareceu como alimento para toda a humanidade. A Palavra da qual devemos nos alimentar apareceu ao nosso alcance no presépio. Essa Palavra divina revestiu-se de nossa finitude, adaptando-se, por assim dizer, ao nosso paladar.. Assim como ela apareceu ao nosso alcance na manjedoura de Belém, continua, ao longo do tempo, a aparecer-nos na “manjedoura”, que é a Igreja, sob as humildes espécies do pão e do vinho. Na Eucaristia a Palavra se abrevia, isto é, esconde-se sob as aparências do pão e do vinho, para nos alimentar.
Que a condescendência de Deus para conosco ensine-nos a amá-lo de todo o coração e a fazer-nos condescendentes para com nosso próximo. Eis o sentido do Natal!
Pe. Elílio de Faria Matos Júnior
Escrito por elilio às 18h06
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